Sandra Lima
Correspondente da TV LOKAL em Jacarepaguá
Produtora de Audiovisual
E-MAIL: sandralimaprodutora@gmail.com



Bacharel em filosofia, Vinny lança CD, mas quer dar aulas e largar música



É difícil afirmar se Vinny tem mais hits ("Heloísa, mexe a cadeira", "Te encontrar de novo", "Uh Tiazinha") ou mais cursos trancados em faculdades. Ele abandonou a faculdade de direito no último ano, para ser cantor. Já como músico, arriscou estudar gastronomia e psicologia, mas também desistiu no meio do caminho. Agora, deseja em breve aposentar sua carreira artística para dar aulas. A nova vocação foi descoberta há quatro anos, quando ingressou na faculdade de filosofia, em Ribeirão Preto (SP). Desde janeiro, ostenta o título de bacharel. A cadeira agora é outra. “Não pretendo ser que nem o Gilberto Gil, um artista que com mais de 60 anos ainda está atuando", conta ao G1. "Não é desilusão minha, mas ao contrário do que as pessoas pensam, a música tem sim um momento pra deixar ela quietinha.” Embalado pela recente conquista, arrematou uma vaga no mestrado em ciências sociais em uma universidade argentina. “Estudei muito, porque era bastante concorrido. Se posso me gabar, digo que fiquei orgulhoso com a graduação. Tive as notas mais altas em todo o país, uma das melhores médias dentro da universidade.” O cantor quer lecionar nos dois países. Antes disso, ainda almeja fazer um doutorado em filosofia medieval – seu tema predileto – possivelmente em Portugal. “É minha paixão de verdade, uma coisa que num futuro não muito distante, vou me dedicar integralmente”, planeja. Embora focado nos estudos durante dois meses ao ano – as aulas na Argentina são em janeiro e julho –, o cantor encontrou tempo para compor duas novas canções. Elas estão no novo trabalho de Vinny, produzido em sua gravadora, a Vinny Planet. Será lançado apenas em vinil. “É muito mais bonito, acho digno lançar um vinil. Dá um valor.” O nome do álbum é mais autoexplicativo do que cabalístico. Embora goste do número "13", Vinny revela que sente dificuldade em batizar seus trabalhos. “É como escolher nome de filho”. Justamente por essa razão, optou por acrescentar apenas o símbolo de exclamação ao numeral. Maquiavel e Aristóteles, os pensadores mais estimados pelo artista, não são citados nas duas novas faixas, mas Vinny não nega a influência dos ensinamentos da graduação durante o processo de composição. “Sem querer parecer pretensioso, mas a filosofia acaba entrando na sua vida de forma integral, não apenas nas coisas que você faz, mas da maneira que você pensa. É uma nova chance de rever alguns conceitos importantes e isso se refletiu no meu disco.” Ele acha perigoso, porém, falar que o tema está explícito nas letras. “Não sei se está presente. Talvez na intenção de falar do amor de forma mais abrangente e menos romântica.” Apesar da fase mais intelectual, ele não rechaça hits que o alçaram à fama. E avisa que “Mexe a cadeira” nunca teve a pretensão de fazer ninguém pensar. “É só uma brincadeira", garante. "Ela foi muito mal criticada, recebida com um mau humor que não é razoável. É como pegar uma música do Jorge Ben, que é um cara da festa, e tentar analisar ‘Moro num país tropical’, como se tivesse analisando uma música profunda.”

Fonte: G1

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