"Estamos esperando o próximo nome da lista", diz policial que matou Matemático



Para atirador do Serviço Aeropolicial, é importante saber controlar o medo

Apesar de trabalhar a maior parte do tempo nas alturas, o policial civil Mauro Gonçalves, um dos atiradores responsáveis pela morte de Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, um dos traficantes mais procurados do Rio, mantém os pés no chão ao falar sobre a operação na favela Vila Aliança, no sábado (12).

— Para mim, o Matemático era apenas mais um. Esse é o nosso trabalho: recebemos as missões e temos que cumprir. Agora estamos esperando o próximo nome da lista.

Aos 48 anos, dos quais 25 no Saer (Serviço Aeropolicial), Mauro admite que, mesmo com toda a experiência, sente medo durante operações de risco.

— Quem disser que não tem medo está mentindo. Eu sinto, mas o importante é saber controlar. O maior prazer no nosso trabalho está no final, quando chegamos em casa e encontramos a família.

Mauro e Ralph Serra, de 36 anos, foram os dois atiradores que trocaram tiros com a quadrilha de Matemático. Eles estão entre os 45 policiais do Saer, que costuma ser coadjuvante nas operações policiais, sempre com a missão de apoio, mas que virou personagem principal na morte de Matemático.

Em uma das paredes da sede do Saer, na Lagoa, zona sul do Rio, há um mapa da área controlada pela quadrilha de Matemático na zona oeste do Rio. Nele são apontados os lugares onde há presença de muitos bandidos armados, imóveis onde o traficante teria se escondido, acessos e rotas de fuga. Essas informações ajudam piloto e tripulação.

Segundo o chefe do Saer, o piloto Adônis Lopes de Oliveira, de 49 anos, os policiais já estavam investigando Matemático há seis meses.

- Estivemos perto de prendê-lo em três ocasiões, mas não tivemos sucesso. Dessa vez, a informação foi muito precisa. Tinhamos certeza de que ele estava ali. Quando nos aproximamos, fomos alvo de muitos tiros de fuzil. Não restou outra saída a não ser revidar. A ideia era prender, mas não tivemos opção. Nesse aspecto, o helicóptero é muito importante; ele desmobiliza os criminosos e tem um efeito psicológico muito grande. Chegamos a ficar a uma distância de 20 m do alvo.

Para o subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, não havia outra forma de chegar até o Matemático não fosse de helicóptero.

— Aquela região (Vila Aliança e Complexo de Senador Camará) é muito grande, com muitos acessos e rotas de fuga, muitos traficantes fortemente armados, fazendo a contenção. Além disso, à noite, o Matemático não ficava parado, ele circulava o tempo todo. Por terra, seria muito difícil capturá-lo sem causar maiores danos.

Fonte: R7

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