Curso de jardinagem atrai jovens, em Bangu, que querem seguir carreira de paisagismo



Os primeiros tijolos, que formam a antiga fábrica de tecidos Bangu, ainda chegavam ao local, quando ela já estava, há décadas, com suas raízes fincadas no solo. Não se sabe ao certo desde quando a figueira está lá, mas relatos de moradores dão conta do testemunho da árvore na transformação do bairro. Por isso, ela se tornou o xodó dos alunos do curso de jardinagem Plantar Bangu.

As aulas são ministradas nos canteiros e jardins do Bangu Shopping por profissionais da Fundação Jardim Botânico. A figueira fica no estacionamento do local, onde funcionava a fábrica. E é de lá que sua serenidade inspira os dez alunos e os professores.

— O foco não é formar jardineiros, mas cidadãos. Claro que criamos uma porta que poderá ser utilizada profissionalmente, como muitos fazem, mas o importante é cultivar seres humanos — ressalta Ulisses Carvalho de Souza, engenheiro agrônomo do Jardim Botânico que acompanha os alunos.

Ulisses espera que, do curso, muitos jovens queiram, mais tarde, seguir uma formação em paisagismo ou agronomia. Jorge Carlos dos Santos, de 16 anos, já escolheu onde fincar as próprias raízes.

— Serei engenheiro agrônomo. Antes eu pensava em ser marinheiro, mas agora vi que gosto mesmo é disso — diz o menino, que trocou o mar pela estabilidade da terra.

Já Juliana do Nascimento, de 15, já sabia o que buscava:

— Sempre quis ser paisagista, mas não encontrava cursos. Agora este é o começo do meu caminho até, no futuro, a formação plena. A profissão promete frutos. Um jardineiro recém-formado recebe salário de até R$ 800, mas o valor pode dobrar, de acordo com a experiência do profissional. Um engenheiro agrônomo recebe, em média, 10 salários mínimos.

É tradição na Zona Oeste:

Assim como a centenária figueira, a profissão de jardineiro se fixou no solo de Bangu há muitos anos. O bairro rural se industrializou com a implantação da fábrica, mas, talvez pelas encostas verdes dos maciços que cercam a região, o ar bucólico nunca deixou o espaço.

Foi esse ar que inspirou Francisco Eugênio da Silva, de 47 anos, a dar continuidade a uma tradição de família.

— Sou jardineiro há 33 anos. Assim como meu pai era jardineiro e meu avô também o era. Todos em Bangu — revela o funcionário do shopping que acompanha, com orgulho, o desenvolvimento dos alunos do curso.

Francisco trabalhou, quando jovem, com o famoso paisagista Roberto Burle Marx. Um dos nomes mais famosos do mundo do paisagismo e um apaixonado pela Zona Oeste carioca.

Os interessados podem obter mais informações sobre o curso, grátis, pelo telefone: 2430-5130.

Fonte: extra.globo.com

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